Já agora mata-me outra vez


Fala-me um pouco mais,
era tão bom ficar,
o mal é que eu ja não sei quem eu sou...
eu não sei se eu sou capaz
de me ouvir

Fala-me um pouco mais,
era tão bom subir,
e dar o que eu nunca dei a ninguém
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal

já... agora, mata-me outra vez
era tão bom, direi
mata-me outra vez
mata-me outra vez



Ornatos Violeta, Mata-me outra vez

Recado para muito longe



















Que noite linda. Eu e a Colette estamos sentadas no terraço, a olhar o céu. É tarde e não durmo quase nada há várias noites. Mas está calor e só me apetece entregar o corpo ao ar da madrugada. Parar. Ouvir este exacto piano em vinyl. Expôr-me ao ar do mundo. Deixar ir pensamentos. Respirar.
Quantas estrelas vês daí?
Imagino o mesmo céu mas com muitos mais pontos luminosos. Mais silêncio também. E ao mesmo tempo mais verdade.
O mesmo céu. Mas tão longe!... Mandamos-te carinho.
Guarda tudo dentro de ti, toda a diferença, toda a riqueza.
Dorme bem. Regenera.

S a u d a d e s.

Vem por dentro do meu espanto, à procura do meu fado

Porque hoje, em muito boa companhia, me lembrei disto :)
É das coisas mais bonitas que já vi e ouvi. A letra, as guitarras, as costas dela, as mãos dela, o olhar dela, os movimentos dele, o olhar dele, as vozes. Porque, para quem não sabe (e sempre que digo isto surpreendo quem está a falar comigo), sou uma amante incondicional de fado. Está-me mesmo na alma.
Do magnífico filme "Fados", do Carlos Saura.
Este é um fado flamenco.






De mim só me falto eu
Senhora da minha vida
Do sonho, digo que é meu
E dou por mim já nascida
Trago um fado no meu canto
Na minh'alma vem guardado
Vem por dentro do meu espanto
À procura do meu fado

( #67)













I'm so tired, of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play
For I've been a temptress too long



Portishead, Glory Box