
Este sábado

Tiago Sousa
Músico barreirense que se tem afirmado a passos largos no panorama musical português, seja pelo seu trabalho desenvolvido na netlabel Merzbau ou pelos inúmeros projectos em que participou. Tiago Sousa tem vindo a desenvolver uma carreira (na verdadeira essência da palavra) a solo cada vez mais admirável. Iniciada em 2006 com 'Crepúsculo' e coroada com a edição do muito aclamado “Insónia” pela Humming Couch já em 2009, a sua obra pauta-se por uma singular abordagem ao piano, que partindo das coordenadas dispersas de compositores como Erik Satie ou Claude Debussy as reposiciona num contínuo onde o minimalismo de Terry Riley coabita confortavelmente com a sensiblidade indie de quem aprendeu muito com os anos de militância activa fora dos meandros mais académicos. Feita de motivos melódicos de enorme expressividade emocional, a música de Tiago Sousa habita a noite para perdurar durante o dia, num corpo categórico cujo apelo está ainda longe de estar devidamente cartografado.
Vale a pena salientar a presença de “Insónia” em várias listas dos melhores discos nacionais do ano que passou, com destaque para a elaborada por Nuno Galopim, do Diário de Notícias, onde alcançou um meritório 5º lugar.
PCF Moya
Parte integrante desse “mundo” improvisado que são os Frango, Rui Pedro Dâmaso tem vindo a construir um corpo de obra singular de pleno direito. Assente na guitarra, o seu trabalho a solo enquanto PCF Moya tem vindo a desenvolver as potencialidades sensoriais desse instrumento, numa linguagem extremamente personalizada. Partindo dos resquícios mais étereos dos blues e da folk, cristaliza esses “fantasmas” em melodias circulares, com vista a um todo-nuvem de beleza em suspensão, e sempre em fuga a todo e qualquer crescendo despropositadamente épico. Tão fascinante quanto a luz do sol a abater-se sobre Lisboa ao fim da tarde vista do Barreiro.
Local: CineClube do Barreiro
Horas: 22h, abertura de portas 22h15, início dos concertos
Entrada: 5€ 2.5€ para sócios da OUT.RA
reservas e informações: out.ra@iol.pt
Nunca mais é sábado :)

FESTIVAL RESCALDO 09 - 21/22/23 JANEIRO - Teatro a Barraca
Um festival que retoma os nomes e projectos que tiveram relevância no decorrer do ano anterior, ao mesmo tempo permitindo uma perspectiva do que dos mesmos se poderá ouvir futuramente. Focado nas movimentações emergentes da electrónica, da improvisação, do rock e do jazz, o Rescaldo enfatiza ou dá a conhecer as linguagens e os músicos que merecem destaque devido ao contributo que vêm dando à vitalidade criativa das músicas feitas em Portugal.
www.myspace.com/rescaldo
TIAGO SOUSA
Tiago Sousa . piano
Ricardo Ribeiro . clarinete
Conhecido até recentemente como o mentor da prestigiada "netlabel" portuguesa Merzbau, responsável pela revelação de grupos das franjas do rock como Lobster, B Fachada, Noiserv, Frango e Walter Benjamin, Tiago Sousa trocou esse investimento pela apresentação pública da sua própria música, com o álbum "Insónia" granjeando em 2009 um assinalável sucesso nos meios "indie". Para surpresa de todos, bem diferente é da "noise music" e do neo-psicadelismo que antes promoveu aquilo que toca com o piano como seu principal instrumento: a referenciação de base está em compositores modernos e contemporâneos como Erik Satie, Olivier Messiaen e Terry Riley, a que junta o seu gosto pela "weird folk" de um Robbie Basho e pela improvisação livre. No seu caso pessoal, fechou-se uma janela para se abrir uma porta.
www.myspace.com/tiagosousa
Só para dizer que...*#%***"#...!!!!
"Acho que, em vez de seres tão Peixes como imaginas, és, pelo contrário, muito amarrada, apertada, restrita. De vez em quando quebras isso e irrompes com um poder e uma eloquência convincentes. Mas é como se, antes, tivesses de partir diamantes dentro de ti, transformá-los em poeira e, depois, liquefazê-los... Um terrível bocado de alquimia. Penso ainda que uma das razões pelas quais te dedicaste tão firmemente ao diário é por medo de testares o teu ser intangível com o mundo; de certeza que, se o que escrevesses tivesse sido oferecido ao mundo, já terias alterado o teu estilo. Tu cresceste para dentro, mais e mais protegida, mais e mais sensível... e isso produz venenos e jóias, a coagulada, lantejoulada fantasmagoria da neurose. Quero ser duro agora... Para te libertar. Não quero mais ver-te a escrever outros Alraune 1, 2, 3. É tão revelador e sintomático como o meu Trópico de Câncer. Estas coisas são pontes para algo."
Henry Miller
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