Bom dia, Lisboa



Manhã, pequeno passeio pela Baixa. Ar fresco, Dead Combo a soar nos meus ouvidos, galão, não podia ter um começo de dia mais lisboeta. Adoro a minha cidade.
E até sabe dizer por mim, num inesperado azulejo:


Oooh yes,

I´m the great pretender
Pretending i'm doing well
My need is such i pretend too much
I'm lonely but no one can tell

Oh yes i'm the great pretender
Adrift in a world of my own
I play the game but to my real shame
You've left me to dream all alone

Too real is this feeling of make believe
Too real when i feel what my heart can't conceal

Oh yes i'm the great pretender
Just laughing and gay like a clown
I seem to be what i'm not (you see)
I'm wearing my heart like a crown
Pretending that you're still around


The Great Pretender, Queen

( #38)


Porque me tenho lembrado muito de ti


E ontem à noite ouvi esta música enquanto estava a conduzir, e lembrei-me de me contares uma história acerca dela, e do teu sorriso sincero, e da sensibilidade e paixão pelas coisas da vida...
E abriu-se um sorriso no meu rosto e conduzi vendo as luzes da noite a passar e a pensar que, apesar de tudo o que me tem acontecido, ainda e sempre pensarei que a vida é bela, que a vida está nos pormenores, e que eles são o que me fazem feliz, independentemente dos grandes acontecimentos. Como atravessar a estrada a correr e a gritar, ver a lua cheia sobre a serra, parar debaixo da chuva para fotografar o reflexo da luz na calçada. Dar beijinhos aos amigos como neste dia. Em que fui tão feliz.
Esta música hoje pode falar de ti.
Saudades.
"Foi sem mais nem menos
que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
que me deu para abalar sem destino nenhum
Foi sem graça nem pensando na desgraça
que eu entrei pelo calor
sem pendura que a vida já me foi dura
p´ra insistir na companhia
o tempo não me diz nada
nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
a ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
não partiu para parte incerta
viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
sem paredes, sem ter portas nem janelas
nem muros para derrubar
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
de uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
e com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
será que existe em mim um passaporte para sonhar
e a fúria de viver é mesmo fúria de acabar
foi sem mais nem menos
que um dia selou a 125 azul
foi sem mais nem menos
que partiu sem destino nenhum
foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer
mas Deus leva os que ama
só Deus tem os que mais ama"
125 Azul, Trovante