( #33) Pela felicidade, passada, presente e futura


2007

Quero-te regar minha flor
quero cuidar de ti
deixa-me entrar no jardim
deixa-me voltar a dormir
quero-te regar minha flor
dar-te de novo a paz que perdi
quero desvendar a parte triste que há em ti
deixa-me existir no espaço novo, que acordaste em mim

não vês que é de nós o jardim
que se fez, não vês
que é para nós o jardim
que nos faz em olha
que este frio faz tremer em fica
e faz voltar o que tens e que é meu





Tiago Bettencourt, O Jardim

(#32) Eu prometo que vou parar de ser lamechas, mas ainda não é já, está bem?


"Não há palavras"
Tocas um corpo, sentes-lhe o repetido tremor
sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue.
Observas-lhe o lânguido amolecimento,
as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor.
Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo
enche agora as tuas mãos, empurra o seu destino.
Estira-se o tempo nos pulmões
silva como um chicote rente aos lábios.
As horas, o instante, detêm-se,
extrais aí a tua pequena parcela de eternidade.
Antes foram os nomes e as datas.
a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes.
Depois, aquilo a que chamas amor,
talvez se transforme em promessa arrancada,
muro erguido que pretende encerrar
aquilo que só em liberdade pode ganhar-se.
Não importa, agora nada importa.
Tocas um corpo, nele te fundes,
apalpas a vida, real, comum. Já não estás só.
Juan Luis Panero
"Antes que chegue a Noite"

Só para dizer que...

Ontem tive de apanhar um táxi, e depois de dizer para onde queria ir e que estava muito contente por ter conseguido encontrar um táxi àquela hora e naquele lugar, eis que o senhor me pergunta isto:

"então e o coiso, deu por ele?"


...


(ãh?)


"o sismo, o sismo!"

(ahhhh!)

( #31)


Encaminharam-me isto e eu não costumo repassar, mas... bolas, está mesmo bonito! Vejam até ao fim!

"L'Amoureuse en Secret"

























2005

Trabalho sobre foto original de Marina de Sousa

Guarda-roupa: Marina de Sousa


  • "A Apaixonada Secreta"

Pôs a mesa e levou à perfeição aquilo a que o seu amor sentado à sua frente dirá mais logo em voz baixa, olhando para ela. Alimento semelhante à palheta de um oboé.
Por debaixo da mesa, os tornozelos nus acariciam agora o calor do bem-amado, enquanto que vozes que ela não ouve a cumprimentam. A luz da lâmpada enrola e tece a sua distracção sensual.
Uma cama, muito longe, como ela sabe, aguarda e treme no exílio dos lençóis odoríferos, como um lago de montanha que nunca será abandonado.


  • René Char
"O Consentimento Tácito"
in Os Matinais (1947-49)