( #71)
























"Para lá de todas as coisas amáveis,
para lá de todas as coisas desejáveis,
a tua nudez na ponta dos meus dedos,
uma bola de fumo pairando sobre o piano
e cada poro teu tocado como se fosse
uma tecla, uma tecla emitindo o som
de cordas surdas, as tuas veias, cada
um dos teus nervos, e eu enredado
em ti como o insecto na teia da aranha,
para lá de todas as coisas definíveis,
os contornos do teu corpo à luz
de um tecido transparente, beleza
incomparável acossada pela fealdade
das notas, dos acordes atonais, para
lá de ti, para lá de mim, a paixão
capturada pelas máquinas fotográficas,
projectada numa tela à velocidade
iludente do cinema, para lá das salas,
para lá da luz, nós os dois denegridos,
deitados no quarto escuro da paixão."


Serge Gainsbourg a Jane Birkin, A Dança das Feridas.

Foto: Cátia Garcia

Voltar do Brasil, pôr as visitas em dia.

A Mariana já sabe escrever o seu nome.


















O Miguel está enorme.


















E eu, apesar de continuar a receber as amigas em casa, com as mesmas gargalhadas de quando tínhamos 10 anos, a dizer parvoíces e a falar de gajos, como já fizémos mil vezes nesta cozinha, esta semana fi-lo enquanto cozinhei e passei a ferro a camisa de um desses gajos, que me deixa muito feliz por ter roupa dele cá em casa. Acho que a partir deste ponto já não há volta a dar. Estamos efectivamente crescidas. Claro que isto foi tudo feito com uma dose de azelhice que vê-se logo que somos mais meninas de lanchar um bongo e estrelitas, mas, amigas, se sobrevivemos a isto sem cair no cliché, está tudo muito bem. Eu não tenho dúvidas, porque continuamos a usar os mesmos all star - só que agora vêm de Nova Iorque!! Chique! ;)

Parabéns, meu príncipe.



O chão é cama para o amor urgente
Amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso a gente

Compõe de corpo e corpo a húmida trama -

















 
E para descansar do amor, vamos à cama.


(Carlos Drummond de Andrade)

( #70)

















"Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.

Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.

Amor, amor, amor - o braseiro radiante

que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo."


Drummond

Para a Cátia-Magali :)

RJ #07

No último dia, a ideia foi ir à praia, apesar do tempo não ajudar por aí além.
Terra encantada, como é que aqui não nasceria a bossa nova, os poemas mais lindos do mundo, as pessoas tão especiais.


















Molhar os pés em Copacabana.


















Conversar com Drummond.


















Pôr do sol em Ipanema, a mais bela praia.


















Encontrar com os amigos ao fim do dia.


















E dizer adeus à Cidade Maravilhosa, no dia a seguir, Ponte Niterói ao fundo, promessas de voltar com mais tempo.

RJ #06

Sempre tivémos muita curiosidade em conhecer o local onde a minha família viveu. Quando eu, a minha irmã e os meus pais viémos ao Rio, em pequenas, batemos com o carro quando nos dirigíamos para lá.
Desta vez, não podia perder a oportunidade.
A mítica Praça Onze, de que tanto ouvimos falar, foi onde viveram os meus bisavós, avós, mãe e tios.
Hoje em dia, ela já não existe como existia, pois foi destruída para dar origem à... Marquês de Sapucaí!
Pois é, a minha mãe vivia ao lado do sambódromo. Ele sempre foi por ali, primeiro na Av. Rio Branco, depois na Presidente Vargas, e no fim desta, a Praça Onze, onde construíram o actual sambódromo.
Curioso como uma festa de pobres é hoje em dia muito bem paga pelos ricos para assistirem.
A zona à volta é muito feia e pobre.
As origens pobres da minha família comovem-me. Delas saíram pessoas muito fortes, com garra e simplicidade. Ver este local (não sei como era há mais de 50 anos) comoveu-me e tentei imaginar os meus tios e a minha mãe a brincar por ali, muito felizes como me garante a minha mãe, com total liberdade para correr até onde a vista alcança, subir às árvores, brincar na rua.
Tenho certeza que a beleza é algo muito simples.


















Cristo ali em cima à direita. Parece que abençoa o fim do mundo.























Este monumento sinaliza onde era a antiga Praça.
De tarde, muitas pessoas passeiam por ali, para ver os carros que vão desfilar nessa noite, a segunda do Sambódromo. É um desfile algo estranho. Pessoas muito pobres, sujas, ainda sob o efeito do álcool do dia anterior, a dormir ali, a vender comida e bebida, fantasias...
Os carros, de perto, fazem-me lembrar os teatros antigos, quando os cenários eram de papel, desenhados à mão, meio toscos. Mas à noite transformam-se. Os carros e as pessoas. Emoção pura, onde todos os problemas se esquecem.
























O carro do King Kong, que depois no desfile ficou preso e atrasou a Escola 10m.!


















Protegidos da chuvinha!








































Na Presidente Vargas, à espera.


















Estas gruas são para colocar as sambistas em cima do carro!


















O carro da Grande Rio, escola afectada pelo incêndio na Cidade do Samba, perdeu quase tudo e refez muita coisa. As fantasias ficaram menos ricas, diferentes umas das outras, mas eles estavam lá, abriram o Desfile da segunda noite (estando fora da competição) e foi emocionante. A Comissão de Frente não tinha quase nada  (foi a mais afectada), os sambistas, maestros, cantores, a chorar e a sambar!...


Confesso que de tão perto, este ritual perde. O sítio cheira terivelmente mal, o rio que passa aqui está quase preto, as ruas têm coisas no chão que eu nem vou falar.
Mas, continua a ser:



RJ #05

Infância.
Todos os Carnavais eu e a minha irmã ficávamos coladas em frente à televisão a ver o desfile no sambódromo. Remetia à terra da nossa mãe, e a todas as influências que vieram daí. A Turma da Mônica, a música, o arroz com feijão, a roupa, o sotaque, a melancia, as festas de anos com brigadeiros, o Natal com couve mineira.
Talvez por isso eu seja fascinada pela Marquês de Sapucaí.
E não podia deixar de ir lá, ainda que apenas para passar ao lado e fotografar o mais rápido possível, sem abrir a janela do carro, para não roubarem a máquina.
!!!
Quando cheguei estava a entrar uma Escola, e pude ver um pouquinho do fogo de artifício. Nas estradas à volta, confusão e gente, os carros prontos para entrar. Pessoas acumuladas nas pontes, a tentar ver de graça ;)






































































Eu juro que este rastro verde e rosa... é a Mangueira!!!!!!!!!! :)))))
Catinha, tenho muita pena que não tenhas vindo, mas da próxima eu venho contigo e vamos ver o desfile mesmo.

RJ #04

Passeio a St.ª Tereza.



 
A história desta Escadaria é muito interessante, pessoas de todo o mundo enviam azulejos para este artista, que os coloca aqui. É uma obra viva, sempre em transformação. E nós encontrámos, lado a lado, as nossas casas! Cascais, Sintra e Porto :)


RJ #03

Carnaval.



Esta foi a primeira música que me lembro de ter ouvido a sério na minha vida, como música mesmo, tirando as canções de criança.
Num disco da minha mãe, do qual me lembro perfeitamente, quase tenho a memória completa do dia em que a ouvi. Engraçado como me consigo lembrar disso.
E assim o Chico entrou na minha vida.
Neste dia, entrámos no metro a cantar e a dançar esta música, no entusiasmo de fazer com que todas as pessoas se levantassem e dançassem connosco :)
A cidade está louca, achei muito engraçado a forma como as pessoas se fantasiavam. Desde as coisas mais estrambólicas (palavra em honra da minha irmã, hahahaha) até às mais simples, mas ainda assim ricas. Ideias originais, como dois miudinhos de 3 ou 4 anos vestidos à Tropa de Elite!! E um marmanjo com um vestido estranho que passou por nós e disse que estava mascarado de "fantasia-que-porra-é-essa?" hahahaha!
Para mim, em termos de multidão, foi como o último Santo António que passei na Bica, mas com um nível de loucura muito acima!
Pessoas de TODAS as idades estavam a divertir-se.
Mas a música não estava tão boa, o perfume também não, e acabámos por não demorar muito ali ;)



















RJ #02

Turismo.
A favela da Rocinha.
"É este túnel que de vez em quando eles fecham e assaltam todo o mundo. Se você estiver aqui à hora errada, pronto!", diz o António na maior calma. Silêncio na cabeça das portuguesas. Ahhh. Tá.


















Visita à Sede Histórica. Aqui tudo começou. Esta foi a primeira Escola da Rede DeRose. Tem 50 anos. É minúscula, num 3º andar de um prédio feio, sem placa a indicar o negócio. O Mestre DeRose vivia aqui, esta trave de madeira na parede era para apoiar a cama, que era a porta do armário que baixava, e assim não estragava o chão da sala de prática.



















Foi uma sensação muito boa, estar aqui.


O cofrinho onde os alunos punham o dinheiro que quisessem, pois DeRose não cobrava nada pelas aulas. Mítico. Encontrei escudos!










































Hoje a Escola tem mais de 100 alunos. Nada é impossível :)

RJ #01

04h00 da manhã e saímos de São Paulo.


















10 horas depois chegámos ao Rio!


















A Praia da Barra da Tijuca, chovia e ficámos um pouco desanimados... Mas vale sempre a pena :)
Os nossos anfitriões mostraram-me o que é apanhar uma balsa para ir para casa, mergulhar na Ilha da Gigóia, encontrar o silêncio no meio do Rio de Janeiro, ver a Pedra da Gávea da janela do quarto.




E assim começou um fim de semana especial.