"diz tudo e deixa novamente tudo por dizer"

 "Não há palavras"


Tocas um corpo, sentes-lhe o repetido tremor
sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue.
Observas-lhe o lânguido amolecimento,
as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor.
Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo
enche agora as tuas mãos, empurra o seu destino.
Estira-se o tempo nos pulmões
silva como um chicote rente aos lábios.
As horas, o instante, detêm-se,
extrais aí a tua pequena parcela de eternidade.
Antes foram os nomes e as datas.
a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes.
Depois, aquilo a que chamas amor,
talvez se transforme em promessa arrancada,
muro erguido que pretende encerrar
aquilo que só em liberdade pode ganhar-se.
Não importa, agora nada importa.
Tocas um corpo, nele te fundes,
apalpas a vida, real, comum. Já não estás só.


Juan Luis Panero

"Antes que chegue a Noite"

1 ano / 1 ano

Entraste em minha casa de mansinho
P'la porta que te abri de par em par
E juntos começámos um caminho
Que não sabemos bem onde vai dar

Ao peito levo a rosa que trazias
Tingida pelo sangue dos teus dedos
E agora, p'ra não ires de mãos vazias
Eu tenho de abrir mão dos meus segredos

Não sei por quanto tempo ficaremos
No espaço que inventámos p'ra nos ter
Não sei sequer ao certo o que sabemos
Mas sei que não preciso de saber

E um dia, à despedida, queira Deus
Que eu possa partir sem dizer nada
E tu possas dizer, em vez de adeus
Obrigada, meu amor, muito obrigada


Luís Viana / José Mário Branco (Fado Pombal)

( #69)

a madrugada que era e é esse teu riso claro
quem primeiro falou de riso claro
talvez houvesse ouvido a água quando corre sobre os seixos de um ribeiro



















talvez a houvesse visto branca e fresca
mas teve de inventar pra conquistar essa metáfora
quando eu te ouvi não fiz mais do que ouvir
e sei que o som da água imita o teu sorriso
Talvez dentro de séculos se não fale já de ti
coisa aliás sem maior importância
que a de não ter alguém deixado o teu retrato
em qualquer dos museus esparsos pelo mundo
Eu estarei morto e pouco poderei fazer
por ti simples mulher da minha vida
Mas isso não importa importa esta manhã




















Ruy Belo

O tempo das suaves raparigas e outros poemas de amor

"Prece em movimento" - Vídeo


Obrigada e parabéns aos bailarinos e músicos por todos os momentos lindos que nos deram.


"Prece em movimento" - Espectáculo
















Colectivo Imprevisto - Novembro 2010

"Prece em movimento" - Ensaios




Colectivo Imprevisto - Novembro 2010

Nunca mais é sábado :)









CONCERTO TIAGO SOUSA
SÁB 20 NOV
21H30
TREM AZUL JAZZ STORE








(c) Vera Marmelo


Tiago Sousa piano, harmónio, teclado

Ricardo Ribeiro clarinete

Baltazar Molina percussão

Tiago Sousa traz à Trem Azul Jazz Store no próximo sábado, 20 de Novembro, às 21h30, um dos últimos concertos antes do lançamento do seu novo álbum, Walden Pond's Monk. Baltazar Molina (percussão) e Ricardo Ribeiro (clarinete) acompanham Tiago Sousa ao piano.

Walden Pond's Monk chega ao mercado nacional e internacional em Março de 2011 pelas mãos da editora americana Immune Recordings, que conta com artistas como Tape e Micah Blue Smaldone e que é distribuída pela Thrill Jockey Records.

Entrada: 5 Euros










FESTAS DO TREM "JAZZ IS BORING #1"
SÁB 20 NOV
23H30
TREM AZUL JAZZ STORE

A única loja de jazz do país volta a transformar-se numa animada pista de dança sábado, 20 de Novembro, a partir da 23h30, para receber as habituais Festas do Trem, sem as quais a noite lisboeta já não consegue viver, todos os meses.

Sob o mote "Jazz is Boring" as mesas de mistura da loja à beira Tejo plantada vão tocar rock, blues e soul...

Is jazz boring? No, but let's rock! Uma festa que promete fazer dançar todos que passarem pela A-21 da Rua do Alecrim. Obrigatória!

Entrada: 5 Euros (com direito a 1 bebida)

Preço Especial: Concerto Tiago Sousa + Festa - 7,5 Euros

dizes-me então que sou teu, que tu és toda p'ra mim


diz-me agora o teu nome
se já dissémos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim

toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
p'lo teu toque de mão

soam ventos amenos
p'los mares morenos
do meu coração

espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim

e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaques diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
p'lo caminho das letras
que tudo o resto não conta

e lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios

e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

dizes-me então que sou teu
que tu és toda p'ra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim

por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim

e lá fomos audazes...



"Porque me olhas assim"
Fausto Bordalo Dias