Je t'inventerai Des mots insensés Que tu comprendras



















Ne me quitte pas

Il faut oublier

Tout peut s'oublier

Qui s'enfuit déjà

Oublier le temps

Des malentendus

Et le temps perdu

A savoir comment

Oublier ces heures

Qui tuaient parfois

A coups de pourquoi

Le cœur du bonheur

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



Moi je t'offrirai

Des perles de pluie

Venues de pays

Où il ne pleut pas

Je creuserai la terre

Jusqu'après ma mort

Pour couvrir ton corps

D'or et de lumière

Je ferai un domaine

Où l'amour sera roi

Où l'amour sera loi

Où tu seras reine

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



Ne me quitte pas

Je t'inventerai

Des mots insensés

Que tu comprendras

Je te parlerai

De ces amants-là

Qui ont vu deux fois

Leurs cœurs s'embraser

Je te raconterai

L'histoire de ce roi

Mort de n'avoir pas

Pu te rencontrer

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



On a vu souvent

Rejaillir le feu

De l'ancien volcan

Qu'on croyait trop vieux

Il est paraît-il

Des terres brûlées

Donnant plus de blé

Qu'un meilleur avril

Et quand vient le soir

Pour qu'un ciel flamboie

Le rouge et le noir

Ne s'épousent-ils pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



Ne me quitte pas

Je n'vais plus pleurer

Je n'vais plus parler

Je me cacherai là

A te regarder

Danser et sourire

Et à t'écouter

Chanter et puis rire

Laisse-moi devenir

L'ombre de ton ombre

L'ombre de ta main

L'ombre de ton chien

Mais

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas.
 

 
Jacques Brel

Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão, sei lá, sei lá, eu só sei que ela está com a razão

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá,
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Eu só sei que ela está com a razão

Ninguém nunca sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
O sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é um descuido do não

Sei lá, sei lá
Eu só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá,
A vida tem sempre razão

 
 
Sei Lá "A Vida Tem Sempre Razão" (Miúcha, Tom Jobim e Chico Buarque)

Composição: Toquinho/Vinícius de Moraes

 

Certa voz na noite ruivante...























Esquivo sortilégio o dessa voz, opiada
Em sons cor de amaranto, às noites de incerteza.
Que eu lembro não sei de Onde - a voz duma Princesa
Bailando meia nua entre clarões de espada.

Leonina, ela arremessa a carne arroxeada;
E bêbada de Si, arfante de Beleza,
Acera os seios nus, descobre o sexo... Reza
O espasmo que a estrebucha em Alma copulada...

Entanto nunca a vi mesmo em visão. Somente
A sua voz a fulcra ao meu lembrar-me. Assim
Não lhe desejo a carne - a carne inexistente...

É só de voz-em-cio a bailadeira astral -
E nessa voz-Estátua, ah! nessa voz-total,
É que eu sonho esvair-me em vícios de marfim...


Mário de Sá-Carneiro, Indícios de Ouro

Natural Highhhhhhhhhhhh


Porque hoje estou completamente assim!

Porque a noite de ontem me deu uma companhia inusual e muito divertida, porque me deu depois um reencontro que me recorda uma velha sintonia, porque hoje comecei o dia a dar uma aula super bem disposta e sem ter bebido café, porque o sol abriu depois e quando voltei a casa amei a beleza da inesperada manhã quente que se estendeu na minha sala, portas abertas para o terraço, porque ao fim da tarde em vez de dar aula fui fazer aula e foi como fosse a primeira vez, tal era a minha receptividade, um sorriso o tempo todo, a respiração tão serena, a energia que crescia e crescia e crescia dentro de mim, porque a vida me surpreende.
Eu hoje surpreendo-me.

:)

Porque adooooooooro e hoje não parei de ouvir isto

























It's a blue, bright blue Saturday,
And the pain's starting to slip away,

I'm in a backless dress on a pastel ward that's shining
Think I want you still
But it may be pills at work

Do you really wanna know how I was dancing on the floor?
I was trying to phone you as I'm crawling out the door
I'm amazed at you, the things you say and you don't do
Why don't you ring?

I was feeling lonely, feeling blue
Feeling like I needed you
And i woken up surrounded by me











b e a u t i F U L L



Blue Afternoon




Well come along walk with me

And learn the songs that lovers sing

When they believe

We'll dance along the river's edge

Just arm and arm along the moonlit shore

The midnight cries

Well I just came to chase the blues away

For awhile

Just like a child you'll cling to me

From every sound along that rushes near

It's just the breeze that licks your skin

and rubs your breast

And as we lay our river's flow away

Your woman fear

Well I just came to chase the blues away

For awhile

With the morning sun we'll wake

And lift our eyes and watch the eagle fly

Up mountain high

And on his wings our love will climb

And never fail until he soars and dives

Oh, he'll take your breath away

Well, he just came to chase the blues away

For awhile

 
 
Tim Buckley, Chase the blues away

A menina e o piano

Finalmente vi o DVD do concerto "3 Pianos", Bernardo Sassetti, Mário Laginha e Pedro Burmester.
Que emoção.

Aqui partilho uma das que achei divinais (não é do próprio concerto porque não há na net).



Gostava de partilhar o momento lindíssimo em que eles tocaram o Bolero de Ravel!... Mas também não encontro. Então, aqui vai o Mozart - esta porque a minha mãe tocava muito isto quando eu era mais pequena e ainda sei as notas de cor :)


Cantiga de amigo

Porque prolonguei esta sensação pela tarde fora, entre o riso e o vento, para acabar o dia:





E se a conversa os põe em perigo
Ele ri-se muito e gaguejante diz-lhe
É bom ser teu amigo
Mas igualmente bom ser teu amante

Cantiga de amor

Porque hoje acordei com esta música na cabeça... e é tão linda!...
Hoje não tenho horas para acordar. Ainda sob o efeito dos comprimidos, durmo muito, ao menos durmo bem, acordo lentamente, sem sobressaltos ou a pressa do costume e tenho a janela aberta, adoro acordar assim, os estores a meio, as cortinas ondulam devagarinho e os meus braços recebem uma luz ténue e clara, a luz ainda da manhã, que tem só um bocadinho de amarelo, um silêncio inusual, apenas os pássaros, manchas de luz que se deitam no lençol, no meu ombro, hoje dormi sem roupa e acordei sem obrigações. E cantei:




Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres...

II Lesão nas costas = drogas que dão sono = ficar em casa = ter tempo para isto:
























"Eis que os amantes relembram antigas carícias e antigas devoções, e muitos gestos de ternura abandonados por negligência. Pois, como o inverno faz esquecer, apagar e desfigurar o vicejante verão, assim é também o instável amor no homem e na mulher. Porque em muitos não há constância; pois todos os dias, por uma lufada de esquecimento invernal, logo toldamos e rompemos o verdadeiro amor, que muito custou a se formar, por pouco ou nada. Isso não é sabedoria nem constância, mas fraqueza moral e grande desonra."


























"O mundo é lindo, para onde quer que eu olhe. Observem, vejam as luzes e a alegria, os cantos e os finos presentes. Vitória, vitória ao grande rei; vocês nada perderam. Mas as imagens transpiram nos templos, os caminhos do dharma são subtis e difíceis de encontrar. E, após tudo, ainda continuo vivo... acho que não há morte para mim. Perdoem-me, vou para a floresta."

Mahabharata

(uma oferenda com quase 10 anos, que muito estimo, apesar de só agora a estar a ler. Obrigada :) )

I Lesão nas costas = drogas que dão sono = ficar em casa = ter tempo para isto:





















APARECE

Aparece pura gema feminina
Como uma jovem solitária
No meio dos seus vestidos nus
Como uma jovem nua
No meio das mãos que a imploram
Eu te saúdo

Anseio por uma chama nua
Anseio p'lo que ela esclarece
Surge meu jovem espectro
Nos teus braços uma ilha desconhecida
Tomará a forma do teu corpo
Minha bem aparecida

Uma ilha e o mar decresce
O espaço teria um leve arrepio apenas
Para nós dois um único horizonte
Acredita em mim revela-te assedia o meu olhar
Dá vida a todos os meus sonhos
Abre os olhos.



















A AUSÊNCIA

Falo-te através das cidades
Falo-te através das planícies
A minha boca repousa na tua almofada
Os dois lados da parede opõem-se
À minha voz que te reconhece
Falo-te de eternidade

(...)


Paul Éluard

Te voici femme nouvelle



















O BEIJO

Ainda toda tépida da roupa abandonada
Fechas os olhos e mexes
Como se movimenta um cântico que nasce
Vagamente mas de toda a parte

Odorífera e saborosa
Vais além sem te perderes
Das fronteiras do teu corpo

Saltaste por sobre o tempo
Nova mulher te eis
Ao infinito revelada.



Paul Éluard

Como não corria o risco, pude ver

















"Quem és tu?"
Perguntou o guardião da noite.
"Da pureza do cristal venho",
Respondi eu,
"E grande é a minha sede, Persefone.
Mas acatando a tua sentença,
Eu fujo,
Virando à direita,
Sempre para a direita.
Afasto-me do pálido cipreste
E não estanco a minha sede
junto à sua silvestre fonte,
Em vez disso acorrendo
Ao tumultuoso rio Mnemosine
Onde bebo até à doce saciedade.
E lá, mergulhando as mãos
Nos meandros da sua labiríntica corrente,
Vejo de novo, qual sonho
Do homem que se afoga,
Todas as estranhas visões
Que nunca me tinham surgido
E visões mais estranhas ainda,
Por homem algum jamais vistas."


( #60) Kamikaze

"How could that happen?
How could that happen again?
Where the fuck was i looking
when all his horses came in?"

Por falar em desapego...



Nada é por acaso... Este mês, na nossa Escola, estamos a estudar sobre Aparigraha: a não-possesividade. Diz esta norma ética:

- O yôgin não deve ser apegado aos seus bens e, ainda menos, aos dos demais.

- Muitos dos que se "desapegam" estão apegados ao desejo de desapegar-se.

- O verdadeiro desapego é aquele que renuncia à posse dos entes queridos, tais como familiares, amigos e, principalmente, cônjuges.

- Os ciúmes e a inveja são manifestações censuráveis do desejo de posse de pessoas e de objetos ou realizações pertinentes a outros.

Preceito moderador:
A observância de aparigraha não deve induzir à displicência para com as propriedades confiadas à nossa guarda, nem à falta de zelo para com as pessoas que queremos bem.

DeRose, Yôga Sútra de Patánjali

Dizemos nós:
Durante este mês, observe-se a si mesmo e explore a sua rotina de modo a vivenciar mais esta norma ética do yôga.
 
Digo eu: não podia ter calhado melhor...

So be it

Hoje lembraram-me desta música... Uau, retrocedi uns 7 anos... quando ouvimos isto no repeat. E depois sozinha. Vezes e vezes de seguida, o álbum todo, todas as canções sabidas de cor, cantadas com sentimento. Este álbum é uma obra-prima. E esta mulher...

Isto hoje veio meeeeeeeeeeeeesmo a calhar.






So be it, I'm your crowbar

If that's what I am so far

Until you get out of this mess

And I will pretend

That I don't know of your sins

Until you are ready to confess

But all the time, all the time

I'll know, I'll know

And you can use my skin

To bury secrets in

And I will settle you down

And at my own suggestion,

I will ask no questions

While I do my thing in the background

But all the time, all the time

I'll know, I'll know

Baby-I can't help you out, while she's still around

So for the time being, I'm being patient

And amidst this bitterness

If you'll just consider this-even if it don't make sense

All the time-give it time

And when the crowd becomes your burden

And you've early closed your curtains,

I'll wait by the backstage door

While you try to find the lines to speak your mind

And pry it open, hoping for an encore

And if it gets too late, for me to wait

For you to find you love me, and tell me so

It's ok, don't need to say it.

i draw a line to your heart today, to your heart from mine, one line to keep us safe




I can't believe that life's so complex
When I just want to sit here and watch you undress

Does it have to be a life full of dread
I wanna chase you round the table, I wanna touch your head

I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
I can't believe that the axis turns on suffering
When my head burns

Even in the summer
Even in the spring
You can never get too much of
A wonderful thing

You're the only story that I never told
You're my dirty little secret, wanna keep you so
You're the only story that never been told
You're my dirty little secret, wanna keep you so

Come on out, come on over, help me forget
Keep the walls from falling as they're tumbling in

This is love, this is love
That I'm feeling
This is love, this is love
That I'm feeling
This is love, this is love
That I'm feeling
This is love, love, love
That I'm feeling



:)

Estou apaixonada!

Por estas pessoas, por este local, por esta energia!... :)


















A Herdade do Brejo da Amada é um paraíso escondido na Comporta.
Aqui sucedeu um fim-de-semana para praticar várias modalidades e eu fui convidada para ministrar duas aulas de Yôga.
As pessoas que participaram nunca tinham feito uma aula de Yôga, mas a sua receptividade foi tão grande e o brilho nos seus olhos tão lindo após as aulas, que foi gratificante! Também foi muito interessante conviver com estas pessoas maravilhosas que encontrei:


















A Rita, com a bola amarela, dona de um sorriso tão sereno e bonito.


















A Linda, que tem mesmo uma luz tão bonita e especial.


















A muito carinhosa Natália.


















O Inácio, que disfarça bem aqui na aula, mas na verdade era a pessoa mais divertida da Quinta! ;)


A Joana, que ganhou o prémio originalidade com o teatrinho dos ovos mexidos (heheheh) e a Liliana, organizadora do evento, cheia de boas ideias, boas intenções, e melhor do que tudo isso, cheia de efectividade, pois tudo correu perfeitamente, sem nenhum stress e sempre com uma preocupação e um carinho por todos, todos os participantes, professores e staff da Herdade.

Apesar de trabalharmos no mesmo local, não nos conhecíamos bem, mas quero dizer-vos que me senti em casa com vocês. Para quem vive no ambiente do Método DeRose, em que temos o hábito de tratar carinhosamente e com boa-disposição quem nos envolve, em que dou por mim a abraçar todos os amigos (e às vezes os que não são!) porque já não sei cumprimentar as pessoas sem esse gesto, foi uma descoberta prazerosa estar com vocês, pois tudo fluíu naturalmente, adorei ter-vos nas minhas aulas e adorei os abraços sinceros que me deram, espontaneamente, no final.


Estes dias foram um bálsamo para a alma, obrigada!

Vontade de voltar para a cidade, não tive nenhuma.
Mas conduzir sozinha, com boa banda sonora, vendo a paisagem linda, sentindo o cheiro dos pinheiros, da proximidade do mar, também é bom.


















E Lisboa tem tantas coisas lindas para as quais retornar.



Eu sei que já toda a gente viu este filme, mas eu só vi agora...

... e ainda estou de queixo no chão!!! Oh, que magnífico!







La mémoire future la mémoire inconnue jouerait mieux que l'espoir







































" (...)
Sob a sua imensa cabeleira
Debaixo das suas pálpebras descidas
Numa voz abafada entremeada de risos
Ela e seus lábios contavam
A vida
De outros lábios semelhantes aos seus
Procurando entre eles o seu prazer
Como sementes ao vento

A vida também
De homens tão pouco agarrados a ela
De mulheres com mágoas esquisitas
Que se pintam para se apagar
E ninguém compreendia sobre que fundo de delícias e de certezas
A memória vindoura a memória desconhecida
Faria melhor do que a esperança
Para sempre implicada no vulgar no habitual."



Paul Éluard, Onde a mulher é secreta, o homem é inútil



Trabalho sobre foto original de Marina de Sousa, 2005
Vestido da autoria de Marina de Sousa

O crime só compensa se eu matar logo pela madrugada

Vim da rua de matar alguém
e foi assim que eu matei por bem
as razões não há razões
é que eu não tenho mais amor pra dar e a ninguém
Quero não amar para não cair
não vou dar e não vou ter a mesma forma de estar
tudo bem vá durar um dia
faça agora tudo o que eu fizer
quero estar voar e só contigo
mas só enquanto eu quiser
sobre esta forma de amar
vai de uma forma de estar
vim da rua de matar alguém
agora espero o sol
agora espero só quem não dá para ter
quem não dá pra dar um brilho ao ego
e ter assim o cheiro do que um dia seria o nosso dia
daquilo que eu faria
agora sinto a dor agora sinto-a dor
por quem matei por ter feito amor
qual dor eu só faço o que eu quero
eu não penso em ninguém por pensar
meu nome é partir e voltar
e tudo por quem
levo-me ao inverno pela mão da minha culpa
tenho a força para ser mais forte e roubo-te a desculpa
eis a preocupação com uma qualquer situação anormal
é triste o fim ser igual para nós
e estar nas nossas mãos o evitar simples da dor
e qualquer dia me traz até mim
qual a minha culpa
qual a sentença
da lição não tiro nada
mas que o crime só compensa se eu matar logo pela madrugada
eu não sou normal
eu não quero ser igual
isso é virar um homem que eu não sou
ouro em teu olhar
serei pai do teu prazer
até ao dia em que o amor for para nós a última fatia
e se o trago é difícil e a veia entope
só nos resta a nós os dois
a hemorragia.


Da minha banda preferida de sempre: Ornatos Violeta, Um crime à minha porta.

Uma outra definição de samádhi??

O HOMEM DE VIDRO
" Tenho uma visão tão recta, uma sensação tão pura, um conhecimento tão desastradamente completo e isento, a representação tão nítida e a ciência tão acabada, que me penetro desde a extremidade do mundo à minha palavra silenciosa; e a partir da coisa informe desejada, quando se ergue ao longo de conhecidas fibras e centros ordenados, sou-me, respondo-me, reflicto-me e repercuto-me, estremeço espelhos até ao infinito - sou de vidro."

Paul Valéry, O Senhor Teste

A Cura

Como eu gosto disto!!!.....
Agarrei neste CD e lembrei-me. Um Inverno em Nova Iorque. Frio. Luzes de Natal. A minha irmã e eu debaixo de minúsculos flocos de neve, a gritar e a rir porque qualquer toque nas orelhas as iria desfazer em cristais.
O começo de um namoro.
É tão lindo e quando começo a ouvir fica no repeat!...
Não há melhor do que conduzir a ouvir isto. (Apesar deste senhor ser responsável pelo meu medo de aranhas - acabei de percebê-lo agora! Aquela aranha gigante do tamanho de um quarto tornou-se o meu pesadelo! - opá, eu era piiiquena.)




i've been looking so long at these pictures of you
that i almost belive that they're real
i've been living so long with my pictures of you
that i almost believe that the pictures are all i can feel

remembering you standing quiet in the rain
as i ran to your heart to be near
and we kissed as the sky fell in holding you close
how i always held close in your fear
remembering you running soft through the night
you were bigger and brighter than the snow
and screamed at the make-believe
screamed at the sky
and you finally found all your courage to
let it all go

remembering you fallen into my arms
crying for the death of your heart
you were stone white so delicate lost in the cold
you were always so lost in the dark
remembering you how you used to be
slow drowned you were angels so much more than everything
oh hold for the last time then slip away quietly
open my eyes but i never see anything

if only i had thought of the right words
i could have hold on to your heart
if only i'd thought of the right words
i wouldn't be breaking apart all my pictures of you

Looking So long at these pictures of you
but i never hold on to your heart
looking so long for the words to be true
but always just breaking apart my pictures of you

there was nothing in the world
that i ever wanted more than to feel you deep in my heart
there was nothing in the world
that i ever wanted more than to never feel the breaking apart
all my pictures of you


The Cure, Pictures of You

Leve!......

( #59)





















2005


Um dia, alguém me pôs os phones nos ouvidos e me fez subir ao telhado para ficar sentada e quieta a contemplar um raga. Ali, com ele lá em baixo, movendo-se na luz, eu fiquei sozinha, sentindo o vento no rosto, de olhos fechados. De vez em quando abria-os, para me certificar de que era verdade - eu estava mesmo ali, sentada numa chaminé e dali podia ver toda a cidade. Tinha um amigo que contava com os meus braços para curar o coração, ainda que pouco nos abraçássemos - estávamos ligados. Abri os olhos quando me tocou com muito cuidado para me oferecer um chá quente e voltou a descer, desaparecendo na luz lá em baixo. E eu, como sempre, gostando de mim só, de alguma forma sempre ausente, sempre por dentro de mim. Um grandioso mundo de gratidão retumbava no meu peito.
Hoje, ao retornar a casa, vieram comigo muitas memórias. De luzes diferentes, de sombras, de vozes. De tantas coisas que se me apresentaram e me fizeram eu. Cheguei ao telhado e vejo que estou novamente (mas agora sim) só, os phones nos meus ouvidos tocam agora esta música, que me dá muita vontade de dançar. O meu corpo começa a saltar languidamente e abro um sorriso. E levo com o vento no rosto, sinto os meus caracóis nas pálpebras fechadas, sinto como eles se movem no ar quando giro a cabeça, sorrio, danço. Este telhado é meu, posso fazer o que quiser. Que céu se expande à minha frente, que paisagem linda se mostra para mim. Esta música mexe nas cordas do meu corpo e faz-me sentir que não é coincidência, é dança (no telhado, apesar de tudo). E talvez, talvez mais tarde eu entrarei na casa e sentirei a sua presença, movendo-se na luz. Beberemos o chá sem ser preciso dizer nada. Dançaremos, sempre.
Eu sei quem sou. Eu sou só eu. E eu também sou mais eu, quando sou assim. E um dia, eu vou deixar de ser eu e passarei a ser a dança, sem atributos. Não mais fingirei aguentar tudo, eu não aguento tudo. Compreenderei melhor os outros, porque tudo é possível. E todos merecem os meus braços. Inclusivé eu.
:)

Aleluia, que este dia terminou, e bem ;)

80 mil pessoas estavam ali, apenas umas ruas abaixo. Na praça Luís de Camões não se ouvia nada, praticamente não passavam carros, quase nem pessoas. Nunca vi aquela praça tão sossegada, um silêncio na rua... Tão lindo!...O Chiado parecia uma aldeia.
De noite, quando saí, fui até lá. Ver "os despojos do dia". Algumas pessoas fizeram o mesmo que eu.
Uma atmosfera muito estranha inundou a cidade hoje. A Praça do Comércio estava lindíssima, à medida que se ia apagando e desmanchando. Pessoas andavam devagar, paravam, contemplavam o palco já sem o Papa. Se a missa tivesse sido agora acho que teria sido ainda mais linda, com as luzes a bater no Tejo, o azul do palco contra Almada.
Estranho, como não vi nada da euforia, mas observo que qualquer coisa grande aconteceu.


















































































Ao deambular pelas ruas, percebo mais uma vez que, por muito que viaje, continuo a considerar Lisboa a cidade mais linda do mundo.

Boa noite.

Que coisa tão, tão linda

( #58)

Quando um livro começa assim!...











2005



"A tolice não é o meu forte. Vi muitos indivíduos; visitei várias nações; tomei parte em cometimentos vários de que não gostei; quase todos os dias comi; e de mulheres também tenho que contar. Revejo agora umas centenas de caras, dois ou três espectáculos, e talvez a substância de vinte livros. Não retive o melhor nem o pior destas coisas: ficou como pôde.

Esta aritmética poupa-me o espanto de envelhecer. Poderia igualmente contar os vitoriosos momentos do meu espírito, imaginá-los juntos e isolados, a formarem uma vida feliz... No entanto estou em crer que me julguei sempre bem julgado. Raramente me perdi de vista; detestei-me, adorei-me; - depois envelhecemos juntos."

Paul Valéry, O Senhor Teste