( #39)









































"A realidade é um repto. A poesia é um rapto. De uma para outra queimam-se os dedos, e como é de fogo que aqui se trata, tudo se ilumina." Herberto Hélder


2005
Trabalho sobre foto original de Marina de Sousa
Guarda-roupa: Marina de Sousa

Este sábado


Tiago Sousa

Músico barreirense que se tem afirmado a passos largos no panorama musical português, seja pelo seu trabalho desenvolvido na netlabel Merzbau ou pelos inúmeros projectos em que participou. Tiago Sousa tem vindo a desenvolver uma carreira (na verdadeira essência da palavra) a solo cada vez mais admirável. Iniciada em 2006 com 'Crepúsculo' e coroada com a edição do muito aclamado “Insónia” pela Humming Couch já em 2009, a sua obra pauta-se por uma singular abordagem ao piano, que partindo das coordenadas dispersas de compositores como Erik Satie ou Claude Debussy as reposiciona num contínuo onde o minimalismo de Terry Riley coabita confortavelmente com a sensiblidade indie de quem aprendeu muito com os anos de militância activa fora dos meandros mais académicos. Feita de motivos melódicos de enorme expressividade emocional, a música de Tiago Sousa habita a noite para perdurar durante o dia, num corpo categórico cujo apelo está ainda longe de estar devidamente cartografado.
Vale a pena salientar a presença de “Insónia” em várias listas dos melhores discos nacionais do ano que passou, com destaque para a elaborada por Nuno Galopim, do Diário de Notícias, onde alcançou um meritório 5º lugar.


PCF Moya
Parte integrante desse “mundo” improvisado que são os Frango, Rui Pedro Dâmaso tem vindo a construir um corpo de obra singular de pleno direito. Assente na guitarra, o seu trabalho a solo enquanto PCF Moya tem vindo a desenvolver as potencialidades sensoriais desse instrumento, numa linguagem extremamente personalizada. Partindo dos resquícios mais étereos dos blues e da folk, cristaliza esses “fantasmas” em melodias circulares, com vista a um todo-nuvem de beleza em suspensão, e sempre em fuga a todo e qualquer crescendo despropositadamente épico. Tão fascinante quanto a luz do sol a abater-se sobre Lisboa ao fim da tarde vista do Barreiro.


Local: CineClube do Barreiro
Horas: 22h, abertura de portas 22h15, início dos concertos
Entrada: 5€ 2.5€ para sócios da OUT.RA
reservas e informações: out.ra@iol.pt

Ontem




Tiago Sousa


Ricardo Ribeiro





Joana Guerra
Parabéns por toda a beleza que emprestaram ontem ao Teatro A Barraca.

Nunca mais é sábado :)










FESTIVAL RESCALDO 09 - 21/22/23 JANEIRO - Teatro a Barraca

Um festival que retoma os nomes e projectos que tiveram relevância no decorrer do ano anterior, ao mesmo tempo permitindo uma perspectiva do que dos mesmos se poderá ouvir futuramente. Focado nas movimentações emergentes da electrónica, da improvisação, do rock e do jazz, o Rescaldo enfatiza ou dá a conhecer as linguagens e os músicos que merecem destaque devido ao contributo que vêm dando à vitalidade criativa das músicas feitas em Portugal.

www.myspace.com/rescaldo



TIAGO SOUSA


Tiago Sousa . piano
Ricardo Ribeiro . clarinete

Conhecido até recentemente como o mentor da prestigiada "netlabel" portuguesa Merzbau, responsável pela revelação de grupos das franjas do rock como Lobster, B Fachada, Noiserv, Frango e Walter Benjamin, Tiago Sousa trocou esse investimento pela apresentação pública da sua própria música, com o álbum "Insónia" granjeando em 2009 um assinalável sucesso nos meios "indie". Para surpresa de todos, bem diferente é da "noise music" e do neo-psicadelismo que antes promoveu aquilo que toca com o piano como seu principal instrumento: a referenciação de base está em compositores modernos e contemporâneos como Erik Satie, Olivier Messiaen e Terry Riley, a que junta o seu gosto pela "weird folk" de um Robbie Basho e pela improvisação livre. No seu caso pessoal, fechou-se uma janela para se abrir uma porta.

www.myspace.com/tiagosousa

Só para dizer que...*#%***"#...!!!!

"Acho que, em vez de seres tão Peixes como imaginas, és, pelo contrário, muito amarrada, apertada, restrita. De vez em quando quebras isso e irrompes com um poder e uma eloquência convincentes. Mas é como se, antes, tivesses de partir diamantes dentro de ti, transformá-los em poeira e, depois, liquefazê-los... Um terrível bocado de alquimia. Penso ainda que uma das razões pelas quais te dedicaste tão firmemente ao diário é por medo de testares o teu ser intangível com o mundo; de certeza que, se o que escrevesses tivesse sido oferecido ao mundo, já terias alterado o teu estilo. Tu cresceste para dentro, mais e mais protegida, mais e mais sensível... e isso produz venenos e jóias, a coagulada, lantejoulada fantasmagoria da neurose. Quero ser duro agora... Para te libertar. Não quero mais ver-te a escrever outros Alraune 1, 2, 3. É tão revelador e sintomático como o meu Trópico de Câncer. Estas coisas são pontes para algo."

Henry Miller

( #38)

























2006

Quis agarrar a ti o mar Quis agarrar a ti o sol Quis que o mar fosse maior Quis que o mar tocasse o sol Quis que a luz entrasse em nós Inundasse o lado frio Quis agarrar a tua mão E descer o nosso rio Quero agarrar a ti o céu Quero agarrar a ti o chão Quero que a chuva molhe o campo E que o campo seja teu Para que eu cresça outra vez Quero agarrar em ti raiz Quero agarrar a ti o corpo E eu quero ser feliz... Quis agarrar a ti o barco Quis agarrar a ti os remos Que usamos nas marés Quando as ondas são de ferro Quero agarrar a ti a luta Quero agarrar a ti a guerra Quero agarrar a ti a praia E o sabor de chegar a terra Porque o mar tocou no sol Inundou o lado frio Porque o sol ficou em nós E desceu o nosso rio Por isso dá-me a tua mão Não largues sem querer Quero agarrar a ti o mar Eu quero é viver. Se tens medo da dor Vem ver o que é o amor Se não sabes curar Vem ser o que é amar Quero ver-te amanhecer.
Quero ver-te amanhecer.
Quero ver-te amanhecer.
Quero ver-te amanhecer.


Tiago Bettencourt, "O Campo"


(Não se pode perder nada desta obra, nem a letra, nem a música, por isso coloco aqui o link para ouvir enquanto se lê. É linda.)


Bom dia, Lisboa



Manhã, pequeno passeio pela Baixa. Ar fresco, Dead Combo a soar nos meus ouvidos, galão, não podia ter um começo de dia mais lisboeta. Adoro a minha cidade.
E até sabe dizer por mim, num inesperado azulejo:


Oooh yes,

I´m the great pretender
Pretending i'm doing well
My need is such i pretend too much
I'm lonely but no one can tell

Oh yes i'm the great pretender
Adrift in a world of my own
I play the game but to my real shame
You've left me to dream all alone

Too real is this feeling of make believe
Too real when i feel what my heart can't conceal

Oh yes i'm the great pretender
Just laughing and gay like a clown
I seem to be what i'm not (you see)
I'm wearing my heart like a crown
Pretending that you're still around


The Great Pretender, Queen

( #38)


Porque me tenho lembrado muito de ti


E ontem à noite ouvi esta música enquanto estava a conduzir, e lembrei-me de me contares uma história acerca dela, e do teu sorriso sincero, e da sensibilidade e paixão pelas coisas da vida...
E abriu-se um sorriso no meu rosto e conduzi vendo as luzes da noite a passar e a pensar que, apesar de tudo o que me tem acontecido, ainda e sempre pensarei que a vida é bela, que a vida está nos pormenores, e que eles são o que me fazem feliz, independentemente dos grandes acontecimentos. Como atravessar a estrada a correr e a gritar, ver a lua cheia sobre a serra, parar debaixo da chuva para fotografar o reflexo da luz na calçada. Dar beijinhos aos amigos como neste dia. Em que fui tão feliz.
Esta música hoje pode falar de ti.
Saudades.
"Foi sem mais nem menos
que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
que me deu para abalar sem destino nenhum
Foi sem graça nem pensando na desgraça
que eu entrei pelo calor
sem pendura que a vida já me foi dura
p´ra insistir na companhia
o tempo não me diz nada
nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
a ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
não partiu para parte incerta
viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
sem paredes, sem ter portas nem janelas
nem muros para derrubar
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
de uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
e com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
será que existe em mim um passaporte para sonhar
e a fúria de viver é mesmo fúria de acabar
foi sem mais nem menos
que um dia selou a 125 azul
foi sem mais nem menos
que partiu sem destino nenhum
foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer
mas Deus leva os que ama
só Deus tem os que mais ama"
125 Azul, Trovante